Não me lembro o motivo, nem como aconteceu, quando eu tinha
15 anos. Nesta idade tudo é muito acentuado, o amor, a raiva, tom de voz, reações,
as histórias então, tem uma emoção tamanha.
Foi nesta época que deixei de falar com minha irmã. Morando
na mesma casa, dormindo no mesmo quarto, comendo na mesma mesa, nós
conseguíamos não nos olhar, não nos trombar, não nos falar.
Hoje não consigo imaginar como seria conviver assim com uma
pessoa.
A família inconformada com a situação, meus pais sempre
fazendo de tudo para reunir a família, nada funcionava! Duas turronas!
Eu não entendia aquela pessoa, e ela não tinha a mínima
ideia do que passava na minha cabeça.
Dois anos nesta situação.
No dia 30 de maio de 1995, um dia antes do meu aniversário,
cheguei a casa e meus pais estavam mais felizes; estranhei.
No dia 31 de maio, uma quarta-feira fria me lembra de chegar
a casa, mesmo sendo meio de semana, eu me sentia animada, afinal, era meu
aniversário. Tive a impressão de que teríamos uma festa de aniversário,
brigadeiros, beijinhos, e até um bolo na geladeira, estranhei, mas numa
situação destas, você finge que não é com você para não estragar a surpresa. Lembro-me
como se fosse hoje, do sorriso de canto de boca de minha mãe.
Subi para o quarto para tomar um banho, afinal pessoas
poderiam chegar para me parabenizar.
Minha maior surpresa não foram visitas, mas neste dia, foi
um dos dias mais importantes da minha vida.
Entrei no quarto e encontrei minha irmã sentada na minha
cama.
Uma blusa de soft cinza, uma calça preta, um embrulho no
colo em que ela não tirava os olhos enquanto me dizia:
- Não quero mais ficar sem falar com você! Você é importante
pra mim.
...
Ela nunca foi uma pessoa meiga, sempre vi minha irmã como a
pessoa mais forte da família, sempre pronta para brigar e me defender dos
paqueras da escola principalmente, meu primeiro namorado morava na Zona Sul de
São Paulo, se não, ele apanhava também.
Detalhe que morávamos em Guarulhos. Em média 40 minutos de
carro o que não era meu caso, sendo assim, para namorar, tinha que enfrentar
umas 3 horas entre ônibus, metrô e ônibus novamente, para chegar à casa de uma
tia que amo demais e depender de uma prima cupido para me ajudar a namorar.
Quando a ouvi dizer aquilo, eu desabei. Abracei, beijei e
disse que a amava demais e que nunca mais isso aconteceria.
Precisamos de quase dois anos separadas para vermos o quanto
somos importantes uma para a outra.
Dia 09 de julho fiz uma festa surpresa de aniversário pra
ela, tentei retribuir um pouco do que ela tinha feito por mim e a lição que
tive foi à seguinte:
Nenhuma reação tem o valor de uma ação!
É fácil você dizer que estava errado quando alguém toma a
atitude de te pedir desculpas, mas a ação de pedir desculpas é a que mais vale.
O orgulho não nos leva a nada, nestes dois anos perdi demais, perdi amor, perdi
carinho, perdi dois anos que não voltam.
O medo de ser rejeitada caso eu fosse abraçá-la me fazia não
agir.
Dava de ombros e tentava me convencer... Não me faz
diferença!
Mas a coragem que ela teve em tentar, fez com que eu a
admirasse sempre.
Ela é hoje minha melhor amiga, um tanto de irmã, um tanto de
mãe, um tanto de filha, um tanto de tudo de bom que eu tenho, não sei explicar
a admiração que tenho por ela, mas não tem uma pessoa que não entenda o que é
amor, quando me vê dizer seu nome.
Pathy, você é um tesouro na minha vida! Cada momento feliz
na sua vida é uma realização na minha.
Amo ver seu sorriso, suas grosserias, suas histórias, seu
olhar de irmã.
Te amo! Muito!
O amor de vocês é realmente algo muito especial, algo que sinto-me muito honrado de ver e de alguma forma poder participar. Ambas são pessoas muito especiais e vocês duas juntas são muito mais especial ainda.
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