domingo, 5 de julho de 2020

Bora pensar na toalha, que nem sempre é a toalha molhada que está em cima da cama.

Toalha molhada em cima da cama? Ah! Quem pensa que a parte ruim do casamento é tipo toalha molhada está muito enganado.
Nós, seres humanos temos personalidade tão diferente, assim como DNA, é complicado se entender quem dirá entender o próximo.
Em um livro chamado Mulheres de 30 anos, a leitura nos faz entender que, começamos a nos conhecer e nos permitir, em média perto deste aniversário, eu, vou além, posso dizer que começamos a nós conhecer a partir dos 30 mas nos permitir mesmo, perto dos 40 anos.
Ouvi meu marido dizer, algumas vezes que qualquer pessoa antes de casar, deveria morar só.  Como nunca fui de analisar, achava isso uma tremenda bobeira, sempre fui medrosa, pânico do escuro, dos sons que a noite fazem, dos tiros.
Morar sozinha, humor! E quando surgisse uma barata, iria pra rua?
Ah! Se o medo dos 40 anos fosse de matar baratas, eu seria um sucesso, consegui em um momento histórico, matar duas numa pisada só em uma infestação da garagem certo dia.
Nós mudamos, mudamos o gosto alimentar, de cheiro, das cores, dos modelos, dos sentidos. É impressionante o quanto mudamos!
Hoje, tenho tanta coisa pra fazer que já acordo com pique, saio do banheiro dizendo bom dia e procurando se falta algo na mesa do café, tudo bem!
Amanhã, acordo com dor, devagar busco o banheiro para esvaziar a bexiga que não resiste tanto, e mal consigo abrir os meus olhos antes de sentar a mesa, falta alguma coisa? 
Bom dia!
Mudamos de humor, ah! Como mudamos de humor. Uma conta que chega, uma TPM, um carteiro sem paciência. E plim! Mudamos de humor.
Estes dias pedi desculpas a um taxista, disse a ele que eu não estava tendo um bom dia. Nem pensei naquela hora como estava sendo o dia dele, que carregava minhas compras. Difícil? As 22 horas e ele ainda estava carregando minhas compras.
Eu não pensei nele quando pedi desculpas, pensei na minha vergonha por reclamar que ele não podia subir as escadas. Mudança de humor ou egoísmo de minha parte?
Nós temos dificuldade de ver, porque estamos nos preocupando com nosso dia, nossos afazeres, nossa produção. 
Produção de um dia completo...
Quase nunca acontece na vida de casado. 
A roupa é esquecida na máquina de lavar, o arroz em cima do fogão, a salada que estragou na geladeira, nem vou pensar no freezer que precisa descongelar. Ah! Lavar o banheiro. São tantas coisas que esquecemos, vão ficando pra depois, meu chinelo no meio da casa, ele chuta pra baixo da estante quando passa, puto! 
Quem deveria estar puta sou eu, custava pegar e colocar no canto? 
Mas não, eu cozinho, eu lavo, eu guardo, eu recolho, e quando eu chego no quarto a toalha está em cima da cama. 
Ah! A tão conhecida toalha molhada em cima da cama. 
Me lembro das tias reclamando dela, eu pensava... Porque não pede pra eles tirarem, peça uma, duas, três vezes e não faça, se fizer, vai reclamar igual elas. 
Na verdade não era a toalha, era a estafa de todo o resto, de não conseguir se sentir produtiva no final de um dia exaustivo.
Como desejá-lo assim? Como insinuar-me assim? As mulheres que passeiam, são mais atraentes! Será que elas se sentem frustradas? 
Naquele momento em que eu andava na rua pensei isso, aquele homem forte e simpático que me olhava de longe no metrô fez com que eu me sentisse viva. Subi o olhar devagar, me senti paquerando e voltei ao meu celular. Uma culpa de estar paquerando, eu estava paquerando! Não posso.
Olhei de novo.
Eu não era uma mulher frustrada naquele momento, eu era a atraente. Não para o meu marido, mas isso fazia com que eu me sentisse bem. 
Quantas vezes não o vi olhando a mulher que balançava os seios enquanto andava. Quantas vezes eu não vi ela vindo antes dele e já cruzei meus braços, cerrei os olhos  esperando pra ver se ele iria disfarçar.
Disfarçou filho da mãe sem vergonha!
Pensando bem, o que eu queria? 
Se ele olha eu fico puta, se ele disfarça eu fico puta, lembrei do moço do metrô.
Ali eu não fiquei puta. 
Não ia trair meu marido com aquele moço, bem como qualquer outro, porque me sinto tão ofendida quando ele olha alguém. Ele vive, eu vivo!
Nós é que na verdade não estamos vivendo, porque? Porque nos casamos?
Difícil entender essa parceria. 
Mas, para os que a compreendem, ganham o céu.
O espaço dele não é seu, o seu espaço não precisa ser de ninguém. Demarque o seu espaço e quando se permitir sair dele, será o personagem atraente. 
É complicado? É sim, muito. Até porque tem muitos casos em que só uma parte desta parceria entende e a outra se torna metade de um. 
Metade de um aqui, metade de outro ali, e nunca vai ser parceria de ninguém.
Boa parceria! Bom casamento! Bora pensar na toalha, que nem sempre é a molhada que está em cima da cama.

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