sexta-feira, 23 de março de 2012

Vai meu bem, desfila! ...


Hoje em dia as pessoas falam tanto em deixar a discriminação de lado. Eu acredito ser uma pessoa que não tem discriminação. Será?
O que seria a discriminação?
Conforme a Wikipédia: Discriminar significa "fazer uma distinção". Existem diversos significados para a palavra, incluindo a discriminação estatística ou a atividade de um circuito chamado discriminador. O significado mais comum, no entanto, tem a ver com a discriminação sociológica: a discriminação social, racial, religiosa, sexual,por idade ou nacionalidade, que podem levar à exclusão social.
Hoje quero abordar um pouco sobre a discriminação sexual, talvez a que mais tenho analisado em minha vida, por isso, seja mais fácil relatar minha opinião.
Mulheres na maioria das vezes adoram ter amizades com Gays, por quê?
Eu acredito que, é a melhor forma de aceitar uma crítica de uma maneira engraçada e divertida.
Tive um amigo, ou melhor, um companheiro de trabalho que fez parte dos meus dias e companheiro de almoço por quase um ano.
Ouvi dele, por diversas vezes:
-Anda direito, coloca um pé na frente do outro, parece uma lesma andando!
-Empina este peito, tem essa merda para que? Para pendurar?
- Vai meu bem, desfila! Andar somente vai te fazer ser a mulher mais comum que já conheci.
Não significa que todos os gays, tenham este perfil, este, era do meu amigo de trabalho.
Quando uma mulher escuta uma crítica de outra mulher; não me sinto feliz em declarar isso, mas digo por mim, e acredito que muitas mulheres vão se identificar com isso. Antes de ouvir o que realmente importa, que é a dica ou a motivação, pensamos... Olha quem fala, repara em mim nisso e não se enxerga nisso ou naquilo.
Quando se trata de um amigo gay, normalmente é engraçado, divertido e você pensa, nossa, realmente, estou andando igual uma lesma, ou, no meu caso, como andava do lado de um homem de quase 2 metros; como uma formiga que colocava as perninhas para correr e não ficar para traz, afinal, ...Ele desfilava!
Ele me motivava, me chacoalhava, me botava pra frente. E algumas vezes me empurrava pra andar direito. 
Perto dos meus 15 anos, me apaixonei por um mocinho que trabalhava em uma pizzaria perto de casa, eu ia lá tomar guaraná todos os dias para vê-lo. 
Nesta época fiz amizade com um menino, Paulo que trabalhava em um bingo perto de casa vendendo cartelas, ele se maquiava mais que eu, andava desfilando, tinha um orgulho de si que era invejável e vendia horrores de cartelas porque ela deixava as pessoas baterem as cartelas no seu bum-bum magro para dar sorte antes da partida. Quantas pessoas não foram no bingo só para ver a cena que ele criava antes das rodadas.
Voltando a pizzaria, em um dos dias que fui tomar meu guaraná, estava eu na calçada, ouvindo um som, encostada na Kombi de outro amigo e o Paulo me disse:
Ah! Dúvida cruel! (Suspiro)
Eu: Desabafa!
Ela: Ah! Fico pensando em me relacionar com um menino tão novo e me decepcionar mais uma vez.
Eu: Hummmm, amor novo; conta tudo que já fiquei curiosa.
Ele sacou uma fotografia da carteira, com um rapaz sentado em cima de uma pedra, parecia um visual de praia com por do sol, estava escuro, estávamos embaixo de um poste, eu virei a imagem e tinha uma declaração de amor linda e um pedido de namoro, quase implorado.
Localizei-me melhor na luz para ver o rosto da criança e... Quem era o menino da foto?
Bingo!
O meu paquera. Ou melhor, o menino que eu sempre olhava trabalhando. E que nunca me olhava.
Na época eu logo pensei, ele prefere essa bicha louca e desvairada, magra e velha, a mim?
Sim! Ele preferia.
Ele tinha o que eu nunca poderia dar aquele mocinho lindo e perfeito.
O nosso gosto muda muito, muitas coisas que discriminava na minha juventude, aprecio hoje.
Desejos que não nos atrevemos a nos expor, vontades proibidas, fetiches abusivos, quem pode julgar?
Normalmente quando sabemos uma coisa destas de um conhecido logo pensamos: Ah! Fulana ou Fulano? Não acredito!
Porque não?
Já analisou suas vontades extremas?
Já achou uma cena absurda que te excitou? De repente, nos vemos num impasse se algo é certo ou não.
Acho que o que importa de verdade é a harmonia das pessoas, nem que seja com ela mesma, que seja feliz e plena nas suas vontades e desejos. Que seja fiel a si.
Se descobrir gay, ou lésbica, ou sado, ou... o que importa na verdade é aceitar que ninguém é igual a ninguém e ser livre e responsável pelos seus atos é o mais importante.
Quando nos aceitamos, achando certo ou errado, entendemos que, se alguém tem algo de diferente de você, não significa que ele seja melhor ou pior, apenas, é outra pessoa, com outra criação, outra crença, outro valor.
Então seja, exista, se exiba como se sentir bem. Desfile!

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